
No passado dia 10 de fevereiro de 2026 a Transparência Internacional divulgou o Índice de Perceção da Corrupção referente a 2025[1].
Em traços gerais, este índice atribui, a cada país, uma pontuação de 0 a 100: quanto mais elevada, melhor a percepção de integridade.
Os resultados de 2025 evidenciam o agravamento da perceção global de corrupção: a média mundial recua e a maioria dos países permanece abaixo do limiar de 50/100, espelhando uma erosão prolongada dos padrões de integridade pública.
Portugal regista uma pontuação de 56/100 e ocupa o 46.º lugar entre 182 países, com um decréscimo de um ponto face a 2024. Esta variação coloca o país oito pontos aquém da média da União Europeia (64/100 em 2025, estável face a 2024) e, portanto, em contraciclo face à estagnação regional, sinalizando uma perda relativa de convergência no espaço europeu.
No topo do índice sobressaem democracias com instituições sólidas e enforcement consistente: Dinamarca, Finlândia, Singapura, Nova Zelândia e Suíça.
Já no extremo oposto, figuram contextos de fragilidade institucional e conflito prolongado, como Sudão do Sul, Somália, Venezuela, Síria e Iémen/Líbia.
Para Portugal, o recuo – ainda que ligeiro – aconselha a aceleração de reformas: enforcement sancionatório em corrupção económico‑financeira; profissionalização da Administração; proteção efetiva de Denunciantes; regras claras e auditáveis sobre conflitos de interesses e lobby (com registo público) e contratação pública integralmente digital, com dados abertos interoperáveis.
Globalmente, o panorama reforça a urgência de governação de riscos e due diligence reforçada em cadeias de valor expostas a jurisdições de maior risco.


