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News & MediaPortugal ainda é acessível? Os números que fazem pensar

14 de Maio, 2026

Portugal afirma-se como um dos mercados imobiliários mais dinâmicos da Europa, oferecendo perspetivas de mais-valias raramente igualadas no continente. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam uma tendência clara: quem investiu nos últimos anos colhe hoje os frutos de um crescimento espetacular — e o potencial permanece intacto.

 

1. Rendimentos sem precedentes

 

O segundo trimestre de 2025 ficará para a história. Pela primeira vez desde o início das séries estatísticas em 2019, o preço mediano do metro quadrado ultrapassou a barreira simbólica dos 2 000 euros, com uma subida anual de 19% — um desempenho excecional para qualquer investidor. No terceiro trimestre, esse valor atingia já os 2 111 €/m², confirmando uma dinâmica de valorização robusta.

 

No que respeita às rendas, os rendimentos locativos seguem a mesma trajetória ascendente. A renda mediana dos novos contratos situa-se atualmente nos 8,22 €/m², registando uma subida de 10% em termos homólogos. Mais relevante ainda: a contração da oferta de arrendamento (–10% de novos contratos no primeiro trimestre de 2025) reforça o poder negocial dos proprietários e sustenta os preços de forma duradoura.

 

2. Lisboa: um valor seguro que bate recordes e oportunidades em todo o território

 

A capital portuguesa ilustra perfeitamente este potencial de valorização. No terceiro trimestre de 2025, o preço mediano em Lisboa ultrapassou pela primeira vez os 5 000 €/m² — um nível que permanece competitivo face a Paris ou Madrid, com um crescimento muito superior. Cascais, a estância balnear da costa lisboeta muito procurada por investidores estrangeiros, apresenta valores de 4 053 €/m², enquanto Oeiras supera os 3 400 €/m².

 

Para os investidores, os rendimentos locativos são particularmente atrativos. Um apartamento em Lisboa arrenda-se atualmente por uma média de 15,93 €/m², ou seja, perto do dobro da média nacional. Em Cascais, a renda atinge os 15,31 €/m², garantindo fluxos de caixa sólidos. O mercado português oferece uma diversidade de oportunidades consoante o perfil dos investidores. Se a Grande Lisboa e o Algarve prometem estabilidade e liquidez, o interior do país encerra oportunidades com forte potencial de mais-valia para investidores mais atentos.

 

Região Preço de aquisição (€/m²) Renda (€/m²)
Grande Lisboa 2 939 13,06
Algarve 2 752 9,41
Área Metropolitana do Porto 1 986 8,85
Média nacional 1 777 7,97

 

Notas: Dados do INE. Valores medianos.

 

As melhores performances nem sempre se encontram nas zonas premium. O Baixo Alentejo registou uma subida espetacular de 38,7% no segundo trimestre de 2025 — uma oportunidade que os investidores mais ágeis souberam aproveitar antes da vaga.

 

3. Um mercado ainda subavaliado à escala europeia

 

Com uma média nacional de 1 777 €/m², Portugal permanece significativamente mais barato do que a França (cerca de 3 200 €/m²) ou Espanha nas suas grandes cidades. Este diferencial de valorização, combinado com um crescimento duas vezes mais rápido, constitui um argumento de peso para os investidores internacionais.

 

A forte procura locativa local — alimentada por um mercado de aquisição condicionado — garante taxas de ocupação elevadas e uma pressão ascendente duradoura sobre as rendas. Trata-se de um contexto ideal para assegurar rendimentos locativos atrativos.

 

Todos os fundamentos apontam para a continuação da tendência de valorização. A procura estrangeira mantém-se sustentada, o stock de habitação nova permanece estruturalmente insuficiente e a descida progressiva das taxas de juro deverá libertar uma nova vaga de compradores. Para os investidores atentos, a mensagem é clara: Portugal oferece hoje um raro equilíbrio entre potencial de mais-valia e rendimentos locativos sólidos. Num contexto europeu marcado pela incerteza, o mercado lusitano impõe-se como um refúgio dinâmico — desde que os investidores se posicionem antes que os preços atinjam plenamente os níveis dos seus vizinhos europeus.

 

4. Um enquadramento fiscal em plena mutação: do RNH ao IFICI

 

Durante quase uma década, o regime do Residente Não Habitual (RNH) foi a locomotiva da atratividade fiscal portuguesa. Milhares de francófonos — franceses, belgas, suíços, luxemburgueses, canadianos – escolheram instalar-se em Portugal, seduzidos por uma tributação reduzida sobre rendimentos de fonte estrangeira e por taxas vantajosas sobre certas categorias de rendimentos profissionais.

 

O RNH, na sua forma clássica, deu lugar a um novo mecanismo: o IFICI (Incentivo Fiscal à Investigação Científica e Inovação). Esta mudança, longe de assinalar o fim da atratividade portuguesa, traduz uma vontade política de recentrar as vantagens fiscais nos perfis de elevado valor acrescentado — investigadores, quadros qualificados, profissionais da tecnologia e da inovação.

 

Para as empresas francófonas que pretendem atrair talentos para Portugal ou aí implantar uma filial, esta transição abre novas oportunidades que convém compreender e antecipar. Para os particulares já instalados ao abrigo do antigo regime RNH, a questão do planeamento fiscal a médio prazo coloca-se com acuidade: como otimizar a transição? Quais as opções disponíveis? Quais as armadilhas a evitar? São questões às quais é essencial responder com um acompanhamento jurídico adequado.

 

5. Portugal na era digital: IA, dados pessoais e conformidade

 

Portugal não escapa às grandes transformações digitais que atravessam a Europa. A inteligência artificial, a proteção de dados pessoais e as obrigações de conformidade impostas pelo RGPD são temas prementes para qualquer empresa francófona que opere em território português. [40] Os riscos de sanções são reais e as autoridades portuguesas reforçam progressivamente o seu arsenal de controlo.

 

Do mesmo modo, as obrigações em matéria de compliance e de luta contra o branqueamento de capitais endureceram-se consideravelmente. Em 2026, as empresas estrangeiras presentes em Portugal — incluindo através de filiais ou sucursais — devem conformar-se a um quadro regulamentar exigente, sob pena de coimas significativas e de riscos reputacionais.

 

6. Conclusões

 

O Portugal de 2026 oferece aos francófonos um leque de oportunidades raramente igualado na Europa. Quer se trate de fiscalidade, de imobiliário, de direito do trabalho, de sucessões, de contencioso ou de conformidade regulamentar, os temas não faltam — e os desafios são consideráveis.

 

O que torna Portugal único para os francófonos é, talvez, no fundo, a sua capacidade de conjugar o rigor de um Estado de Direito europeu com uma qualidade de vida sem equivalente no continente. Os laços históricos, culturais e linguísticos entre Portugal e o mundo francófono — da França a Marrocos, da Bélgica ao Canadá, do Luxemburgo à Costa do Marfim — criam um terreno natural para os intercâmbios económicos e humanos.

 

Contudo, esta proximidade não deve fazer esquecer que Portugal é um país soberano, com a sua própria ordem jurídica, as suas próprias instituições e as suas próprias particularidades. Instalar-se ou investir em Portugal sem um acompanhamento jurídico adequado é correr o risco de subestimar diferenças que, embora subtis, podem acarretar consequências significativas.

 

Por Tatiana Cardoso e Anthony Meira, Desk – French Desk

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