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News & MediaNewslettersÉ a transição digital, estúpido!

7 de December, 2020
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O título deste texto remete para uma frase que quase todos já ouvimos, mas que, estimo, nem todos conhecem a sua origem e o contexto em que foi dita.

É a economia, estúpido. É esta a frase original.

Dita e repetida inúmeras vezes e nos mais diversos contextos, pertence a James Carville, responsável pela estratégia de Bill Clinton nas eleições para a presidência do Estados Unidos da América de 1992.

A frase pretendeu, então, apreender o espírito do tempo e aquilo que se acreditava dever ser a prioridade dos decisores políticos na sua ação política, a economia.

Num momento em que as eleições americanas voltam a estar na ordem do dia, lembrei-me da frase e, como tantas vezes já foi feito, apropriei-me da mesma para vincar o que é, hoje, o espírito do nosso tempo.

Hoje, mais do que nunca, a transição digital deve ser uma das principais prioridades do nosso país.

A Transição digital está na ordem do dia e não tenho dúvidas que continuará a estar.

A constatação da importância que a transição digital tem hoje no contexto das políticas públicas é evidente, desde logo porque pela primeira vez a orgânica de um governo elevou a transição digital a nível ministerial (Ministério da Economia e da Transição Digital) e, dentro deste, foi criado um Gabinete de Secretário de Estado com esta “pasta”. Mas, não é só ao nível governamental que a transição digital assumiu importância, também a nível infra governamental foram criadas estruturas a ela dedicadas destacando-se entre estas a Estrutura de Missão Portugal Digital, responsável pela implementação e acompanhamento do Portugal Digital (o plano de ação que pretende ser um motor de transformação do país), a Agência Nacional de Inovação (ANI), que tem por objeto o desenvolvimento de ações destinadas a apoiar a inovação tecnológica e empresarial em Portugal, contribuindo para a consolidação do Sistema Nacional de Inovação (SNI) e para o reforço da competitividade da economia nacional nos mercados globais e a Agência para a Modernização Administrativa (AMA), esta mais direcionada à transição digital do Estado, e na relação deste com cidadãos e empresas, aspeto que é da maior importância para a competitividade da nossa economia.

O atual contexto de pandemia em que o mundo se encontra veio impor a aceleração do ritmo a que a transição digital se estava a processar.

Neste contexto, Estado, empresas e cidadãos, estão obrigados a rapidamente transitar para o digital, sob pena de, não o fazendo atempadamente, ficarem para trás ou mesmo, no caso de algumas empresas, desparecerem.

Ser digital hoje em dia já não é usar programas de gestão de correio eletrónico, nem tão pouco substituir os servidores físicos existentes nos “bastidores” das empresas pelo armazenamento em cloud ou, mesmo, a banal criação de um website.

Ser digital, como fim último do processo de transição digital em curso, é muito mais do que isso. Ser digital é assumir que a assinatura autógrafa de documentos será substituída massivamente pela assinatura digital. Ser Digital é considerar a utilização dos designados smart contracts (contratos que permitem automaticamente executar algumas condições contratuais mais comuns como pagamentos, confidencialidade e até mesmo verificar o cumprimento,  minimizando a necessidade de intermediários), por oposição, aos tradicionais e extensos contratos de adesão com letras minúsculas que ninguém lê, muito usados em setores como a banca e os seguros. Ser digital é passar a aceitar que o pagamento dos bens e serviços seja efetuado por recurso a meios cada vez mais desmaterializados de pagamento, como por exemplo, as criptomoedas. Ser digital é reconhecer que as Fintechs são, em muitos casos complementares, e em muitos outros uma alternativa, aos produtos e serviços bancários tradicionais. Ser digital é reconhecer que a inteligência artificial, a realidade virtual, a realidade aumentada e, enfim, um conjunto infindável de meios e recursos destinados a melhorar os níveis de produtividade, através da inovação e reduzindo os custos dos processos de negócios, não são o futuro, são o presente.

Ainda recentemente o Banco Central Europeu (BCE) registou a marca “Euro Digital” o que, só por si, é um sinal de que muito brevemente teremos uma versão digital do Euro, o que significa que as empresas e os cidadãos devem preparar-se para mais esta “pequena” mudança no nosso quotidiano.

O ambiente ideal para a transição digital está criado mas, como sempre, a mudança nas organizações depende de um fator muito importante: a liderança.

Quando falo em liderança, não me refiro aqui tanto ao tipo de liderança (mais ou menos centralizada, mais ou menos tradicional), mas à sensibilidade e apetência da liderança para a transição digital.

Neste contexto, considero que a liderança deverá ser ousada, visionária, corajosa e assumir a necessidade imperiosa de implementar a literacia digital nas suas organizações.

A transição digital não passa apenas pelo investimento em ferramentas tecnológicas, porque se os agentes da mudança, que são os colaboradores das empresas, não estiverem alinhados e predispostos para essa mudança, a transição será muito difícil de implementar.

A implementação da transição digital não se traduz apenas na criação de planos de ação e de estruturas públicas focadas em prosseguir este desígnio, está também refletida num conjunto de medidas de apoio às empresas.

Estamos, neste momento, também num processo de transição, no caso entre o Programa Portugal 2020 e o Portugal 2030.

Em 29 de outubro, o Governo aprovou em Conselho de Ministros a Estratégia Portugal 2030, enquanto referencial de planeamento das políticas públicas de promoção do desenvolvimento económico e social do país, cujos princípios orientadores se encontram na Resolução do Conselho de Ministros n.º 97/2020, de 13 de novembro de 2020 (que estabelece os princípios orientadores e a estrutura operacional do período de programação de fundos europeus da política de coesão relativo a 2021-2027) e na Resolução do Conselho de Ministros n.º 98/2020, de 13 de novembro de 2020 (que aprova a Estratégia Portugal 2030).

A Estratégia encontra-se estruturada em torno de quatro áreas temáticas centrais para o desenvolvimento da economia, da sociedade e do território de Portugal no horizonte de 2030, a saber, um melhor equilíbrio demográfico, maior inclusão, menos desigualdade; digitalização, inovação e qualificações como motores do desenvolvimento; transição climática e sustentabilidade dos recursos; e um país competitivo externamente e coeso internamente.

No que diz respeito aos objetivos transversais, e para o que releva para o nosso tema, destacamos a inovação e conhecimento, como forma de assegurar as condições de competitividade empresarial e o desenvolvimento da base científica e tecnológica nacional para uma estratégia sustentada na inovação.

Estes objetivos, no que diz respeito ao domínio da inovação empresarial, pretende incrementar o aparecimento  de Start-ups e incentiva o espírito empresarial; incentivar novas especializações em áreas com procuras emergentes (indústria e serviços); promover a integração em cadeias internacionais em segmentos de maior valor acrescentado (agricultura, floresta, indústrias tradicionais, turismo) e a globalização, internacionalização e produtividade das PME´s portuguesas.

No domínio do conhecimento e base científica, a promoção de programas de desenvolvimento de I&D estrutural em domínios estratégicos; o desenvolvimento de novos formatos de processos colaborativos entre Ciência e Empresas (novos modelos de cooperação), a internacionalização das instituições de I&I portuguesas e participação em redes internacionais, são objetivos assumidos neste domínio.

Neste contexto, os programas transversais estratégicos já existentes, como o Indústria 4.0, Economia Circular, entre outros, têm tido um papel importantíssimo neste processo de preparação das empresas para a transição digital.

Aguarda-se, pois, com expetativa e otimismo a concretização das medidas do Programa Portugal 2030 que, como referimos, apostará fortemente no processo de transição digital da economia portuguesa e, consequentemente, das empresas.

Nós, internamente, há muito que iniciámos a nossa transição digital pelo que agora estamos focados em ajudar os nossos clientes, atuais e futuros, a trilhar este caminho.

Vamos dando notícias sobre esta temática.

Fiquem atentos.

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